domingo, 9 de junho de 2013

Mercado da informação



Historicamente a mídia foi criada para atender as necessidades de um grupo específico. Técnicas de manipulação e domínio podem ser observadas facilmente desde que o canal foi inserido no País. Através de uma espécie de jornal informativo, veiculado em 1808 com o intuito de transmitir mensagens publicitárias, acontecimentos do país e novidades da Europa, a mídia teve como principal objetivo moldar comportamentos e idéias da população, fato que não é diferente hoje.

Antes da chegada da família real, toda atividade de imprensa era proibida no país. Não era permitido publicar livros, panfletos e, muito menos, jornais. Mesmo sendo um órgão oficial do governo português, o jornal a Gazeta era editado sob censura prévia, que só foi extinta anos depois. A imprensa no século XIX não era concebida com o caráter noticiário de hoje e, sim, doutrinário. As notícias que o jornal veiculava eram de interesse direto da corte, pretendendo moldar a opinião pública a favor da realeza. O que se percebe hoje é que apesar da liberdade de imprensa adquirida, a informação que irá circular nas ruas ainda continua dependendo de uma série de interesses.

Essa liberdade de imprensa, conquistada através da luta dos militantes e que contrariavam sistemas políticos que eram verdadeiras ditaduras, possibilitou essa renovação e dinamização midiática. Agora, temos meios de comunicação diferentes que difundem múltiplos pontos de vista. Um benefício para a democracia e liberdade de expressão.

Trazendo a utilização das mídias para a esfera jornalística é perceptível que os comunicadores vivem dilemas profissionais. A postura editorial de um jornal, o vínculo com empresas de patrocínio ou anunciantes pode comprometer a informação que será veiculada, afetando a opinião de milhares de pessoas que lerão determinado veículo. A mídia informa o que você realmente precisa saber ou noticia o que é interessante para ela? É claro que a aceitação ou não dessa informação depende da bagagem cultural e educacional de cada cidadão, mas se levarmos em conta o ensino público e a cultura de massa é notável que a mídia continua agindo, sim, como um “quarto poder”.

A questão é ainda mais complexa: a mídia e todas as suas possibilidades tecnológicas funciona como um verdadeiro paradoxo. A mídia condena e inocenta, elege e derruba. Ao mesmo tempo em que ela pode dar voz à população e colaborar com a investigação de casos, como o do Carandiru (em que um policial que participou da ação, registrou com uma máquina pessoal o excesso e o abuso de autoridade cometido pelos militares, parte importante no processo judicial que hoje está em andamento e que, na época, foi divulgado pelo repórter Marcelo Godoy) ela destrói moralmente para sempre a vida de pessoas que muitas vezes não fizeram nada, como o Caso Escola Base.

Partindo do princípio da informação e ainda sobre a questão do tipo de notícia que é veiculada, e de seu papel social na nossa comunidade, como é possível a mídia abrir mão ou ocultar medidas que refletem em gerações humanas? (como o caso da medida do governador Geraldo Alckmin que prevê o fim de disciplinas como História, Geografia e Ciências para alunos do ensino fundamental de escolas integrais). Como é possível uma notícia tão relevante sequer ter cobertura? Muito mais importante do que pensar nos benefícios financeiros da profissão, é importante ter consciência da questão social e a cobertura que cada caso deve ter. Será que nós, jornalistas, seremos capazes de cumprir nosso dever? Será que esse mercado da informação não tem um preço alto demais?

Não podemos viver sem as mídias e temos a certeza de que elas nunca irão acabar principalmente pelo grande avanço tecnológico e o surgimento de novos veículos e canais de informação jornalísticos e publicitários. O que não se deve esquecer é a importância social desses meios na construção da opinião pública e na relação emocional da população sobre o que é noticiado, mostrado e divulgado. Como será o futuro da informação?

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