quarta-feira, 23 de março de 2011

DOE AMOR




Falta amor. Falta sangue. Hoje, o Hemocentro de São José do Rio Preto encontra seu estoque sanguíneo em baixa. Para que tenham um estoque bom, necessitam de, no mínimo, mais de três mil doadores por mês. Mas a realidade é outra, possui “em um mês excelente”, segundo a enfermeira responsável pela coleta, menos de dois mil doadores.

O Hemocentro fornece bolsas para mais de 120 cidades da região. Salva milhares de vidas. Mas ainda sim, não é suficiente se calcularmos a quantidade de gente que necessita disso nos inúmeros procedimentos realizados nos hospitais.

Para se ter uma idéia, uma bolsa de sangue doado por um indivíduo, pode salvar três pessoas! Isso porque são retirados três componentes dele:

1)Concentrado de hemácias – Para pacientes com anemia crônica severa com volume sangüíneo compensado ou anemia em pacientes com insuficiência cardíaca
2)Plasma – Transfusões em grandes cirurgias, quando o paciente perde muito sangue
3)Plaquetas – Pacientes que sangram devido a baixa contagem de plaquetas por causa de leucemias, câncer, anemia aplástica, quimioterapia, radioterapia e etc. As pessoas submetidas a transplante de medula óssea, necessitam de muitas transfusões de plaquetas.

“Temos de cinco a oito litros de sangue no nosso organismo (varia conforme peso e altura, de indivíduo para indivíduo). Doa-se 450 ML. Nada justifica as pessoas deixarem de doar, uma vez, que esse sangue não faz a menor falta para o doador”, disse João Lissoni, enfermeiro no Hemocentro.

Todos sabemos o quanto é importante doar. Não existem substitutos para todas as funções do sangue. Ninguém está imune de necessitar seu uso. Como não há sangue sintético, quem necessita de transfusão tem que contar com a boa vontade de doadores. O problema é quando chega nossa vez, sempre encontramos uma desculpa – Hoje não estou disposto; hoje está chovendo; hoje está sol; nesses últimos dias trabalhei muito e ando cansado; será que esse sangue não me vai fazer falta... - e vamos adiando a doação que poderia salvar a vida de vários necessitados.

Hoje, deixei o comodismo e fui até o hemocentro. Doei sangue. Impressionante a onda de amor que me dominou, quando fiquei sabendo, por meio do papo com os enfermeiros, de que três vidas podem ser salvas, papo esse que resultou em todos esses dados escritos acima, enlouqueci de alegria! Essa foi minha primeira vez, dizem que a primeira vez dói. Mentira! Foi fantástica.

Minhas percepções mudam a cada conversa interessante, a cada descoberta que tenho feito na vida. Uma delas era sobre amor. Esse amor que senti hoje foi diferente. Me fez ver o quanto sentimos coisas pequenas perto das grandes que existem e que, muitas vezes, nos negamos a conhecer e provar. Você pode optar por doar sangue. O amor, ato de fazer bem ao próximo, supera qualquer concepção, vazia, de que só há amor entre homem e mulher, ou outros tipos mais propagados pela mídia, que lotam a cabeça das pessoas e esvaziam o coração. Posso dizer que amo. E quero amar muito mais!

Como o próprio slogan diz: “Doe sangue. Doe Vida” não deixe de doar. Se tiver dúvidas, informe-se melhor. Conheça o Hemocentro de São José do Rio Preto, ele se localiza na Av. Jamil Feres Kfouri, nº 80 – Jardim Panorama CEP 15091-240
Fone/FAX: 17.3201-5151

domingo, 13 de março de 2011

Ilusões Narcísicas

A quebra do narcisismo de Bob

Bob nasceu em um canil da guarda municipal, sua mãe muito dedicada tivera uma complicação durante o seu parto e seus dois irmãos não resistiram, ele então ficou sendo filho único. Sua mãe era a mascote do canil e assim como Bob ela era da raça pinsher.

Sim, Bob era um pinsher pequenino. Preto com a parte inferior do corpo marrom, como num dobermann; aliás, neste canil havia muitos dobermanns e eram eles quem eram treinados para fazer a ronda pela cidade.

Logo cedo os dobermanns estavam a postos para seu treino diário e Bob, ainda pequeno, lá estava para assistir o espetáculo matinal. Ele sonhava em crescer, ser treinado e sair dali junto com um guarda municipal para cuidar da cidade. No treinamento, os dobermanns pulavam arcos, passavam por túneis, buscavam bastões que os treinadores lamçavam, mas, à parte que Bob mais gostava era o treino do ataque, onde o treinador vestia nos braços longas luvas protetoras para que os enormes dobermanns, um por um, mordessem o treinador em uma simulação de ataque ao inimigo. Bob delirava ao ver tudo aquilo, a força que aqueles grandes animais tinham e a violência com que mordiam.

Quando voltava para casa ele contava tudo para sua mãe, que ouvia atentamente seu relato detalhado que incluía seu sonho de se tornar um grande cão de guarda.

É, Bob achava que era um dobermann, aliás, ele não achava, ele tinha certeza disso, quando admirava sua imagem refletida num velho caco de espelho, lá no fundo do canil. Sua coloração era idêntica com a dos grandes dobermanns. Você deve estar se perguntando: Mas e a mãe dele, também não era pequenininha?

A resposta é sim. Mas, você já notou quando a gente ama a nossa mãe, como ela fica grande e poderosa? Um dado da realidade que passou despercebido por ele. Talvez seu sonho fosse maior que esse “pequeno” detalhe do real. E de mais a mais, Bob constatava a grandeza dela quando sua mãe contava a ele que conhecera seu pai em uma de suas saídas para passear no parque e que nunca mais o vira. Contava a ele o quanto sofrera em seu parto e o quanto lutara para que ele estivesse vivo hoje. O sonho de Bob incluía o objetivo de ser forte e poderoso até para cuidar de sua mãe.

Sua mãe entendia tudo o que ocorria, mas com lágrimas nos olhos, não tinha coragem de revelar a verdade a Bob e desfazer todo o sonho que movia a vida daquele minúsculo cachorrinho. Ele pensava nisso vinte e quatro horas por dia, até dormindo ele sonhava e se agitava no ninho, sonhando que treinava com os grandes dobermanns.

Por quantas vezes nós não somos um pouco de Bob, imaginando que nosso valor está naquilo que o outro tem ou é? Imaginamos que para sermos felizes teríamos que ser de outra raça, outro sexo, outra cor, outra forma, que não a nossa.

Quanto ao Bob? Ele ficou sabendo da verdade. Sua mãe refletiu e chegou a conclusão de que ela seria a melhor pessoa para dizer a verdade e que acharia a melhor forma, lugar e momento para revelar a ele a realidade. Ele passou alguns dias muito triste e choramingando pelos cantos. Mas um belo dia descobriu o filho do proprietário do canil, que o adotou e fez dele seu mascote. Bob acabou vendo que talvez brincar, correr e se divertir com o garoto, seria bem melhor que se arriscar em rondas pela cidade e morder pessoas.

Prof. Renato Dias Martino 

Psicoterapeuta e Músico
Fone: 17-30113866 



Conclusões pessoais:

Vivemos ou, até mesmo, sobrevivemos por ilusões. Por muitas vezes, nos vemos acomodados e satisfeitos dentro da caverna.

O comodismo não nos faz enxergar a realidade. A realidade/verdade não interessa pois machuca e desfaz o conceito de que o “eu” é tudo (individualismo, processo primário, ignorância). Entretanto, quando alguém supera seus medos, incertezas, desconfianças e alcança a “saída da caverna” o êxtase sentido ao “respirar ar puro”, obter conhecimento, supera qualquer ilusão sustentada por bases fracas e autodestrutivas.

terça-feira, 1 de março de 2011

O Segredo


Observo as pessoas mais velhas, que estão a minha volta, e fico imaginando o que levou cada uma delas a escolher sua profissão. Para muitos, definir a carreira a ser seguida não é tarefa fácil. Questiono o motivo e se esse indivíduo é feliz.
Dia desses, ouvi de um senhor muito simpático, extremamente inteligente e amável, o advogado, professor universitário e assessor, Dr. Elyseu Mardegan, a seguinte frase relacionada ao assunto: “No início, você trabalha para a profissão. Depois, você faz parte da profissão”. Frase muito curiosa e que abre um leque de opções a serem discutidas. A diferença está em como levamos na vida nossas escolhas.
Há 39 anos na profissão, o carismático Dr. Elyseu se lembra da primeira conquista, dos casos mais complexos aos mais simples. Quem o conhece pode perceber a alegria e prazer em contar casos curiosos pelos quais passou e situações engraçadas e constrangedoras que vivenciou em seu escritório. Característica muito importante dele, ética, ele nunca revela nomes de clientes. Ótimo contador de causos e piadas, característica muito divertida.
Esse foi um exemplo de escolha bem sucedida.
Minha escolha aconteceu já no ensino médio, na verdade, me considero escolhida pelo jornalismo.
Outro escolhido pela profissão, que conheci esse ano, e passei a admirar e, além disso, me despertou enorme interesse pela mente humana, é o psicólogo e psicanalista, Renato Martino, com quem aprendo mais a cada quarta-feira e em cada conversa acrescenta esclarecimentos e mais questionamentos que me fazem pensar.
Renato, além de psicólogo, é músico há mais de vinte anos, e contou-me que foi através da música que se interessou pelo que hoje é sua carreira. Uma de suas referências foi, e é, a banda britânica Pink Floyd, que com suas letras intrigantes despertou o interesse do jovem músico.
Concluo que temos uma enorme capacidade de adaptação às nossas escolhas. Impressionante o amor que podemos adquirir com o tempo. Extremos os resultados que obtemos em realizar as coisas por prazer ou obrigação. Esse é o segredo do sucesso.